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Guerra Fria

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Mensagem por - Dom 3 Abr 2016 - 7:56

A guerra fria é a designação dada ao conflito político-ideológico entre os Estados Unidos (EUA), defensores do capitalismo, e a União Soviética (URSS), defensora de uma forma de socialismo, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial e a extinção da União Soviética.




É chamada de "fria" porque não houve qualquer combate físico, embora o mundo todo temesse a vinda de um novo combate mundial, por se tratarem de duas potências com grande arsenal de armas nucleares. Norte-americanos e soviéticos travaram uma luta ideológica, política e econômica durante esse período. Se um governo socialista era implantado em algum país do Terceiro Mundo, o governo norte-americano logo via aí uma ameaça a seus interesses; se um movimento popular combatesse uma ditadura militar apoiada pelos EUA, logo receberia apoio soviético.




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Desenrolar




A Crise no Pós-Guerra




Com o término da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se uma política global bipolar, ou seja, centrada em dois grandes pólos (denominadas na época superpotências): EUA e URSS. Formadas por ideais distintos, ambos os pólos de poder tinham como principal meta a difusão de seus sistemas políticos e culturais no resto do mundo.




Os EUA defendiam a política capitalista, argumentando ser ela a representação da democracia, da liberdade e da liberdade individual. Em contrapartida a URSS enfatizava o socialismo como resposta ao domínio burguês e solução dos problemas sociais.




Sob a influencia das duas doutrinas, o mundo foi dividido em dois blocos liderados cada um por uma das superpotências: A Europa Ocidental e a América Central e do Sul receberam forte influencia cultural e econômica americana; a maior parte da Ásia e o leste europeu, sob domínio soviético.




Bloqueio de Berlim (Junho/1948 - Maio/1949)




Após a derrota alemã na Segunda Guerra, os países vencedores impuseram pesadas indenizações. Entre elas a divisão da Alemanha em 4 zonas de influência, cada uma chefiada pelos vencedores: Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Berlim, a capital da Alemanha nazista, também foi dividida, mesmo estando totalmente em território de influência soviética. Então a comunicação entre o trecho ocidental da cidade fragmentada e as outras zonas era feita por pontes aéreas e terrestres.




Em 1948, numa tentativa de controlar a inflação galopante da Alemanha, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido criaram uma "trizona" entre suas zonas de influência, para fazer valer nestes territórios o Deutsche Mark (marco alemão). Josef Stalin, então líder da URSS, reprovou a idéia, e, como contra-ataque, buscou reunificar Berlim sob sua influência. Desse modo, em 23 de Junho de 1948, todas as rotas terrestres foram fechadas pelas tropas soviéticas, numa violação dos acordos da Conferência de Yalta.




Para não abandonar as zonas ocidentais de Berlim e dar vitória à União Soviética, os países ocidentais se prontificaram a criar uma grande ponte aérea, em que bombardeiros americanos saíam da "trizona" levando mantimentos aos mais de dois milhões de berlinenses que viviam no ocidente da cidade. Stalin reconheceu a derrota dos seus planos em 12 de Maio de 1949. Pouco depois, as zonas americana, francesa e inglesa se unificaram, fundando a Bundesrepublik Deutschland (República Federativa da Alemanha, ou Alemanha Ocidental), cuja capital era Bonn. Da zona soviética, nasceu a Deutsche Demokratische Republik (República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental), com capital Berlim, a porção oriental.




Plano Marshall e COMECON




Com as nações européias frágeis, após uma guerra violenta, os Estados Unidos estenderam uma série de apoios econômicos à Europa aliada, para que estes países pudessem se reerguer e mostrar as vantagens do capitalismo. Assim, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, George Marshall, propõe a criação de um amplo plano econômico, que veio a ser conhecido como Plano Marshall. Era uma série de empréstimos a baixos juros e investimentos públicos, para facilitar o fim da crise na Europa Ocidental e repelir a ameaça do socialismo entre a população descontente.




Em resposta ao plano econômico americano, a União Soviética se propôs a ajudar também seus países aliados, com a criação do COMECON (Conselho para Assistência Econômica Mútua). Este conselho tinha como meta a recuperação dos países orientais, também para mostrar como vitrine as benfeitorias que o socialismo fazia ao povo.




Corrida Armamentista




Terminada a segunda guerra mundial, as duas potências vencedoras dispunham de uma enorme variedade de armas, muitas delas desenvolvidas durante o conflito. Tanques, aviões, submarinos, navios de guerra constituíam as chamadas armas convencionais. Mas os grandes destaques eram as chamadas armas não-convencionais, mais poderosas, eficientes, difíceis de serem fabricadas e extremamente caras. A principal dessas armas era bombas automáticas. Só os EUA tinham essas armas, que aumentava em muito seu poderio bélico. A União Soviética iniciou então seu programa de que pesquisas para também produzir tais bombas, o que conseguiu em poucos. Mais pesquisas foram sendo feitas, tanto para aperfeiçoar a bomba automática quando para produzir novas bombas. Em pouco tempo os EUA fabricaram a bomba de hidrogênio, seguidos pela União soviética. Essa corrida armamentista era movida pelo receio recíproco de que o inimigo passasse a frente na produção de armas, provocando um desequilíbrio no cenário internacional. Se um deles tivesse mais armas, seria capaz de destruir o outro. A corrida atingiu proporções tais que, já na década de 1960, Os EUA e a URSS tinham armas suficiente para vencer e destruir todos os países do mundo.




OTAN e Pacto de Varsóvia




Em 1949 os EUA e o Canadá, juntamente com a maioria da Europa capitalista, criaram a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma aliança militar, com o objetivo de proteção internacional em caso de um suposto ataque dos paises do leste Europeu.




Em resposta à OTAN, a URSS firmou entre ela e seus aliados o pacto de Varsóvia (1955) para unir forças militares da Europa Oriental. Logo as alianças militares estavam em pleno funcionamento, e qualquer conflito entre dois países integrantes poderia acender uma guerra nunca vista antes.




A tensão sentida pelas pessoas com relação às duas superpotências acentuou-se com o início da corrida armamentista, cujo “vencedor” seria a potência que produzisse mais armas e mais tecnologia bélica. Em contraponto, a corrida espacial trouxe grandes inovações tecnológicas e proporcionou um elevado avanço nas telecomunicações e na informática.




Com a vitória aparente dos americanos, a política Macartista, foi implantada e divulgada no mundo através de filmes e propagandas políticas. O Macartismo, criado pelo senador americano Joseph Macarthy nos anos 50, culminou na criação de um comitê de investigação de atividades anticomunistas. Em outras palavras, toda e qualquer atividade pró-comunismo estava terminantemente proibida e qualquer um que as estimulasse estaria sujeito à prisão ou extradição.




Guerra da Coréia (Junho/1950 - Julho/1953)




Para mais detalhes, veja Guerra da Coréia




O primeiro grande confronto militar entre ideologias ocidentais capitalistas e orientais socialistas veio no sudoeste asiático, na década de 1950. A península da Coreia (Coréia no Brasil) foi dividia, em 1945, pelo paralelo 38º, em duas zonas de influência: uma ao norte, comunista e apoiada pela União Soviética e China - a República Popular Democrática da Coréia; e uma ao sul, capitalista e de apoio das na ções ocidentais - a República da Coréia. Porém, em 1950, a Coréia do Norte, após severas tentativas de derrubar o governo do sul, a invadiu e ocupou Seul, desencadeando um conflito armado. Forças das Nações Unidas, apoiadas principalmente pelos Estados Unidos, fizeram a resistência no sul, reconquistando a capital coreana e partindo em uma investida contra o norte. A China, sentindo-se ameaçada pela aproximação das forças ocidentais, enviou reforços à frente de batalha, fazendo da Coréia um grande campo de batalha.




Após muitas brigas, um acordo de paz é negociado, mas demora dois anos. Um armistício é assinado em Pamunjon, em 27 de Julho de 1953, mantendo a Coréia dividida em norte e sul. A divisão se mantém até hoje.




Corrida Espacial




Veja mais em a conquista da Lua




Um dos campos que mais se beneficiou com a Guerra Fria foi o de tecnologia. Na urgência de se mostrarem superiores aos rivais, Estados Unidos e União Soviética buscaram incrementar seus arsenais militares. Como conseqüência, algumas tecnologias conhecidas hoje (como alguns tecidos sintéticos) foram frutos dessa corrida.




A corrida espacial está neste contexto. Tecnologias de lançamento de mísseis e de foguetes são muito próximas, e portanto os dois países investiram pesadamente na tecnologia espacial. No ano de 1957, os russos lançaram Sputnik, o primeiro artefato humano a ir ao espaço e orbitar o planeta. Em novembro do mesmo ano, os russos lançaram Sputnik II e, dentro da nave foi a bordo o primeiro ser vivo a sair do planeta: uma cadela laika, de nome Kudriavka. Ela morreu na reentrada da atmosfera, devido ao calor. Após as missões Sputnik, os Estados Unidos entraram na corrida, lançando o Explorer I, em 1958. Mas a União Soviética tinha um passo na frente, e em 1961 os soviéticos conseguiram lançar Vostok I, que era tripulada por Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a ir ao espaço e voltar são e salvo.




A partir daí, a rivalidade aumentou a ponto de o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, prometeu enviar americanos à Lua e trazê-los de volta até o fim da década. Os soviéticos se apressaram para vencer os americanos na chegada ao satélite. As missões Zond deveriam levar os primeiros humanos a orbitarem a Lua, mas devido a falhas, só foi possivel aos soviéticos o envio de missões tripuladas, Zond 5 e Zond 6, em 1968. Os Estados Unidos, por outro lado, conseguiram enviar a missão Apollo 8 no Natal de 1968, que era tripulada, a uma órbita lunar.




O próximo passo, naturalmente, seria o pouso na superfície da Lua. A missão Apollo 11 conseguiu realizar com sucesso a missão, e Neil Armstrong e Edwin Aldrin se tornaram os primeiros humanos a caminhar em outro corpo celeste.




A Coexistência Pacífica (1953 - 1962)




Após a morte de Stalin, em 1953, Nikita Khrushchev subiu ao posto de Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética e, portanto, governante dos soviéticos. Condenou os crimes de seu antecessor e pregou a política da coexistência pacífica entre os soviéticos e americanos, o que significaria os esforços de ambos os lados em evitar o conflito militar, havendo apenas confronto ideológico e tecnológico (corrida espacial). Houve apenas tentativas de espionagem. Esta política também possibilitou uma aproximação entre os líderes. Khrushchev se reuniu diversas vezes com os presidentes americanos: com Dwight D. Eisenhower se encontrou em 1956, no Reino Unido, em 1959 nos Estados Unidos e em 1960 na França; e com Kennedy se encontrou uma vez, no ano de 1961, em Viena, Áustria.




Crises da Guerra Fria (1956 - 1962)




Revolução Húngara (1956)




Em 1956, húngaros tentaram se sublevar contra Moscou, numa rebelião que durou 12 dias (23 de Outubro a 4 de Novembro). Buscavam a independência política da Hungria, mas foram reprimidos violentamente pelos soviéticos e pela própria polícia de estado húngara. O resultado, ao contrário, foi a instauração de um governo pró-soviético ainda mais opressor e ditatorial.




Guerra de Suez (1956)




O rei do Egito, pró-europeu, foi derrubado por Gamal Abdel Nasser em 1953, e procurou instalar uma política nacionalista e panarabista. Sua primeira manobra política de efeito foi a guerra que declarou contra o recém-criado estado de Israel, porque eles teriam humilhados os árabes na Guerra de Independência Israelita. Com os clamores de outros países árabes para uma nova investida contra os judeus, Nasser se aliou à Jordânia e à Síria.




Na mesma época, Nasser teria declarado as intenções de nacionalizar o Canal de Suez, que era controlado majoritariamente por franceses e ingleses. Isso preocupou as duas potências, que necessitavam do canal para seus interesses colonialistas na África e Ásia. Assim, a França, o Reino Unido e Israel decidiram formar uma aliança, declararam guerra ao Egito de Nasser e cuidaram da ocupação do Egito. Os europeus cuidaram de bombardear e lançar paraquedistas em locais estratégicos, enquanto os israelitas cuidaram da invasão terrestre, invadindo a península do Sinai em poucos dias.




A guerra no Egito perturbou a paz que vinha sendo mantida entre Washington e Moscou. Eisenhower criticava a repressão em Budapeste, na Hungria, e teve que provar que era contra a invasão a Israel. Os Estados Unidos tentaram várias vezes fazer os europeus mudarem de idéia, e retirar os ocupantes do Egito, ao mesmo tempo que Khrushchev demandava respostas. Os Estados Unidos, inclusive, tentaram, a 30 de Outubro de 1956, levar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a petição de retirada das tropas do Egito, mas França e Reino Unido vetaram a petição.Por outro lado, a União Soviética era favorável a retirada porque queria estreitar laços com os árabes, e se aliou rapidamente à Síria e Egito.




A crescente pressão econômica americana, e a ameaça de Khrushchev de que "modernas armas de destruição" seriam usadas em Londres e Paris fizeram os dois países recuarem, e os aliados se retiraram do Sinai em 1957. Após a retirada, o Reino Unido e a França foram forçadas a perceber que não eram mais líderes políticas do mundo, enquanto o Egito manteve sua política nacionalista e, mais tarde, pró-soviética.




Crise dos Mísseis (1962)




Cuba, a maior das ilhas caribenhas, sofreu uma revolução em 1959, que retirou o pró-americano Fulgêncio Batista do poder, e instaurou a ditadura de Fidel Castro, socialista. A instauração de um regime socialista preocupou a Casa Branca e, em 1961 os Estados Unidos chegaram a ordenar uma invasão à ilha, mas a operação foi um fracasso.




Em 1962, a União Soviética foi flagrada construindo 40 silos nucleares em Cuba. Segundo Khrushchev, a medida era puramente defensiva, par a evitar que os Estados Unidos tentassem nova investida contra os cubanos. Por outro lado, era sabido que os soviéticos queriam realmente responder a instalação de mísseis Júpiter II na cidade de Esmirna, Turquia, que poderiam ser usadas para bombardear o sudoeste soviético.




Rapidamente, o presidente Kennedy tomou medidas contrárias, como a ordenação de quarentena à ilha de Cuba, posicionando navios militares no mar do Caribe, fechando os contatos marítimos entre a União Soviética e Cuba. Vários pontos foram levantados a respeito deste bloqueio naval: os soviéticos disseram que não entendiam o porque Kennedy tomou esta medida, se vários mísseis americanos estavam instalados em territórios dos países da OTAN contra os soviéticos, em distâncias iguais; Fidel Castro relevou que não havia nada ilegal em instalar mísseis soviéticos em seu território; e o primeiro-ministro britânico Harold Macmillan disse não ter entendido porque não foi sequer levantada a hipótese de acordo diplomático.




Em 23 e 24 de Outubro, Khrushchev teria enviado uma carta à Kennedy, informando suas intenções pacíficas. Em 26 de Outubro disse que retiraria seus mísseis de Cuba se Washington se comprometesse a não invadir Cuba. No dia seguinte, pediu também a retirada dos balísticos Júpiter da Turquia. Mesmo assim, dois aviões espiões americanos U-2 foram abatidos em Cuba e na Sibéria em 27 de Outubro, o ápice da crise. Neste mesmo dia, os navios mercantes soviéticos haviam chegado ao Caribe e tentariam passar pelo bloqueio. Em 28 de Outubro, Kennedy foi obrigado a ceder os pedidos, e concordou em retirar os mísseis da Turquia e não atacar Cuba. Assim, Nikita Khrushchev retirou seus mísseis nucleares da ilha cubana.




Apesar do acordo ter sido negativo para os dois lados, o grande derrotado foi o líder soviético, que foi visto como fraco, e não soube manter sua posição frente os americanos. Sobre isso, disse o Secretário de Estado Dean Rusk: "Nós estivemos cara a cara, mas eles piscaram". Dois anos depois, Khrushchev não agüentou a pressão e saiu do governo. Kennedy também foi malvisto pelos comandantes militares dos Estados Unidos. O general LeMay disse à Kennedy que este episódio foi "a maior derrota da história americana", e pediu para que os Estados Unidos invadissem imediatamente Cuba.




 




A Distensão (1962 - 1979)




O período da distensão seguiu-se à Crise dos Mísseis, por ela quase ter levado as duas superpotências a um embate nuclear. Os EUA e a URSS decidiram, então, realizar acordos para evitar uma catástrofe mundial. Nesta época, vários tratados foram assinados entre os dois lados.




Tratado de Moscou (1963) - Os dois países regularam a pesquisa de novas tecnologias nucleares e concordaram em não ocupar a Antártida.
TPN (Tratado de Não-Proliferação Nuclear) (1968) - Os países signatários (EUA, URSS, China, França e Reino Unido) se comprometiam a não transmitir tecnologia nuclear a outros e a se desarmarem de arsenais nucleares.
SALT I (Strategic Arms Limitation Talks - Acordo de Limitação de Armamentos Estratégicos) (1972) - Previa o congelamento de arsenais nucleares dos Estados Unidos e da União Soviética.
SALT II (1979) - Prorrogação das negociações do SALT I.
Os dois países tinham seus motivos particulares para buscar acordos militares e políticos. A URSS estava com problemas nos relacionamentos com a China, e viu este pais se desalinhar do socialismo monopolista de Moscou. Isso criou a prática da diplomacia triangular, entre Washington, Moscou e Pequim. Também estavam com dificuldades agrícolas e econômicas. E os Estados Unidos haviam entrado numa guerra contra o Vietnã, e na década de 1970 entraria em uma grave crise econômica.




A Distensão, apesar de garantir o não-confronto militar, acirrou a rivalidade política e ideológica, culminando em algumas revoltas sociais e apoios a revoltas e revoluções na Europa e no Terceiro Mundo.




Guerra do Vietnã (1957 - 1973)




Para saber mais, veja Guerra do Vietnã




A Guerra do Vietnã foi um dos maiores confrontos militares envolvendo capitalistas e socialistas no período da Guerra Fria. Opôs o Vietnã do Norte e guerrilheiros pró-comunistas do Vietnã do Sul contra o governo pró-capitalista do Vietnã do Sul e os Estados Unidos.




Após a Convenção de Genebra (1954), o Vietnã, recém-independente da França, seria dividido em duas zonas de influência, como a Coréia, e estas zonas seriam desmilitarizadas e mantidas cada uma sob um dos regimes (capitalismo e socialismo). Foi estipulada uma data (1957) para a realização de um plebiscito, decidindo entre a reunificação do país ou não e, se sim, qual o regime seria adotado.




Infelizmente para o Vietnã do Sul, o líder do Norte, Ho Chi Minh, era muito popular entre a população, por ser defensor popular e herói de guerra. O governo do Vietnã do Sul decidiu proibir o plebiscito de ocorrer em seu território, pois queriam manter o alinhamento aos americanos. Como o Vietnã do Norte queria a reunificação do Vietnã, se lançaram para uma guerra contra o Sul.




O Vietnã do Norte contou com o apoio da Frente de Liberação Nacional, ou os Vietcongs, um grupo de rebeldes no Vietnã do Sul. E o Vietnã do Sul contou, em 1965, com a valiosa ajuda dos Estados Unidos. Eles entraram na guerra para manter o governo capitalista no Vietnã, e temendo a idéia do "efeito dominó", em que, ao ver que um país se libertou sozinho do capitalismo e preferiu o socialismo, outros países poderiam seguir este caminho (como foi o caso de Cuba).




Até 1965, a guerra estava farorável ao Vietnã do Norte, mas quando os Estados Unidos se lançaram ao ataque contra o Vietnã, tudo parecia indicar que seria um grande massacre dos vietnamitas, e uma fácil vitória ocidental. Mas os vietnamitas viram nessa guerra uma extensão da guerra de independência que haviam acabado de vencer, e lutaram incessantemente. Contando com o conhecimento do território, os vietnamitas conseguiram vencer os Estados Unidos, no que é vista como uma das mais vergonhosas derrotas militares dos Estados Unidos. Em 1973, os Estados Unidos e o Vietnã assinaram os Acordos de Paz de Paris, onde os EUA reconheceram a unificação do Vietnã sob o regime comunista de Ho Chi Minh.




A Distensão na Europa




A Europa, continente que mais sofreu com a divisão mundial, também sofreu os efeitos da distensão política. Os países começaram a questionar as ideologias a que foram impostos, e optaram cada vez mais pelo abrandamento, no lado ocidental, e pela revolta popular seguida de forte repressão, no lado oriental.




Em 1968, a Tchecoslováquia viu uma grande manifestação popular apoiar idéias de abertura política em direção à social-democracia, e a um "socialismo com uma face humana". Este movimento ficou conhecido como Primavera de Praga, em alusão à capital da Tchecoslováquia, Praga, local onde as movimentos populares tomavam corpo. Temendo a liberdade política da Tchecoslováquia, Brezhnev, líder da URSS, ordenou a invasão de Praga e a repressão do movimento popular.
Em 1966, Charles de Gaulle, presidente da França, manteve os seus ideais de nacionalismo francês e anti-americanismo, e desalinhou-se com as práticas americanas, saindo da OTAN.
Em 1969, o chanceler da Alemanha Ocidental anuncia a "Ostpolitik", uma política de aproximação dos vizinhos, os alemães orientais. Em 1972 os Estados passam a reconhecerem-se mutuamente podendo, assim, voltar a integrar a ONU.
O Reconhecimento Chinês




Desde os anos 1950 a República Popular da China tinha problemas com a União Soviética, por cusa de hierarquia de poderes. Moscou queria que o socialismo no mundo fosse unificado, sob a tutela do Kremlin russo, enquanto Pequim achava que a China não deveria se submeter aos soviéticos. A briga foi um grande problema para os soviéticos, que perdiam um aliado forte.




Nos anos 1970, a situação ficou ainda pior para a URSS, pois Mao Tse-Tung, presidente da China socialista, estava realizando manobras para se aproximar de Washington. A amizade com a superpotência ocidental rendeu à China uma regalia que não haviam conseguido enquanto eram aliados da União Soviética: o reconhecimento. Desde a Revolução Chinesa de 1949, o mundo viu o governo de Mao Tse-tung como ilegal, e consideravam como verdadeira China o governo refugiado em Taiwan. Com a aproximação entre Pequim e Washington, os Estados Unidos passaram a ver Mao Tse-tung como o legítimo regente chinês, e a República Popular da China como a China, de fato. Assim, outros países ocidentais tomaram a mesma decisão, e a China pôde entrar para ONU, como participante e como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.




A "Segunda" Guerra Fria (1979-1985)




Após o ano de 1979, seguiu-se uma leve crise nas relações amistosas entre os Estados Unidos e a União Soviética. Isso deveu-se a alguns acontecimentos importantes, os quais:




Em 1979, a União Soviética invade o Afeganistão, assassinando Hafizullah Amin, e colocando em seu posto Brabak Karmal, que era a favor das políticas de Moscou. A este evento seguiu-se uma grande resistência, principalmente da parte dos mujahideen das montanhas afegãs. Eles eram abastecidos por outros países, como China, Arábia Saudita, Paquistão e o próprio Estado Unidos. Dez anos depois, os soviéticos tiveram que abandonar o país. Esta vitória dos mujahideen possibilitou depois a formação do grupo Taleban, que aproveitou a desordem no país para instaurar seu governo autoritário.
No mesmo ano de 1979 Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra do Reino Unido pelo Partido Conservador, e deu à política externa do país uma face mais agressiva contra o regime soviético.
Em 1981, Ronald Reagan foi eleito presidente dos Estados Unidos e, ao contrário de seus antecessores, que pregavam a Distensão, Reagan mostrou-se feroz na política externa, confrontando a União Soviética, fornecendo armamentos a Saddam Hussein, ditador iraquiano, na guerra Irã x Iraque e realizando diversas outras manobras no cenário internacional.
A era Gorbachev - o fim da Guerra Fria (1985-1991)




Depois da morte de Khrushchev, a União Soviética teve duas rápidas governanças (Yuri Andropov e Leonid Chernenko), mas estes morreram pouco tempo depois de chegar ao cargo político máximo. Seguinte a Chernenko, foi eleito Mikhail Gorbachev, cuja plataforma política defendida era a necessidade de reformar a União Soviética, para que ela se adequasse à realidade mundial. Em seu governo, uma nova geração de políticos tecnocratas - que vinham ganhando espaço desde o governo Khrushchev - se firmaram, e impulsionaram a dinâmica de reformas na URSS e a aproximação diplomática com o mundo ocidental.




Perestroika e Glasnost




Gorbachev, embora defensor de Karl Marx, defendeu o liberalismo econômico no URSS como a única saída viável para os graves problemas econômicos e sociais. A União Soviética, desde o início dos anos 70, passava por grande fragilidade, evidenciada na queda da produtividade dos trabalhadores, a queda da expectativa de vida e, finalmente, o acidente nuclear de Chernobil em 1986, evento que mostrou a deficiência que a URSS passava.




Frente a estes problemas, Mikhail Gorbachev aplicou dois planos de reforma na URSS: a perestroika e a glasnost.




Perestroika: série de medidas de reforma econômicas. Para Gorbachev, não seria necessário erradicar o sistema socialista, mas uma reformulação desta seria inevitável. Para tanto, ele passou a diminuir o orçamento militar da União Soviética, o que implicou em diminuição de armamentos e a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão.
Glasnost: a "liberdade de expressão" à imprensa soviética e a transparência do governo para a população, retirando a forte censura que o governo comunista impunha.
A nova situação de liberdade na União Soviética possibilitou um afrouxamento na ditadura que Moscou impunha aos outros países. Pouco a pouco, o Pacto de Varsóvia começou a enfraquecer, e cada vez mais o Ocidente e o Oriente caminhavam para vias pacíficas. Em 1986, Ronald Reagan encontrou Gorbachev em Reykjavik, Islândia, para discutir novas medidas de desarmamento dos mísseis estacionados na Europa.




O desalinhamento das repúblicas orientais




O ano de 1989 viu as primeiras eleições livres no mundo socialista, com vários candidatos e com a mídia livre para discutir. Ainda que muitos partidos comunistas tivessem tentado impedir as mudanças, a perestroika e a glasnost de Gorbachev tiveram grande efeito positivo na sociedade. Assim, os regimes comunistas, país após país, começaram a cair. A Polônia e a Hungria negociaram eleições livres (com destaque para a vitória do partido Solidariedade na Polônia), e a Tchecoslováquia, a Bulgária, a Romênia e a Alemanha Oriental tiveram revoltas em massa, que pediam o fim do regime socialista. O ponto culminante foi a queda do Muro de Berlim em 9 de Novembro de 1989, que pôs fim à Cortina de Ferro e, para alguns historiadores, à Guerra Fria em si.




Finalmente, a sublevação dos países orientais causou comoção entre os povos bálticos. Os três países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) haviam sido invadidos e anexados pela URSS, e seus cidadãos agora pediam a independência. Seguinte a eles, outras repúblicas da União Soviética pediam eleições livres, com mais partidos políticos.




Esta situação repentina levou alguns conservadores da União Soviética, liderados pelo Gal. Gennady Yanayev, a tentar um golpe de estado contra Gorbachev em Agosto de 1991. O golpe, todavia, foi frustrado por Boris Yeltsin. Mesmo assim, a liderança de Gorbachev estava em decadência e, em Setembro, os países bálticos conseguiram a independência. Em Dezembro, a Ucrânia também se desanexou. Finalmente, no dia 31 de Dezembro de 1991, Gorbachev anunciava o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

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