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QUESTÃO DO ENEM COM RESOLUÇÃO. - PARTE 1/3

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Mensagem por Weslley_Script Sex 24 Fev 2017 - 19:49

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HISTÓRIA


1. A Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desenvolveu o projeto “Comunidades Negras de Santa Catarina”, que tem como objetivo preservar a memória do povo afrodescendente no sul do País. A ancestralidade negra é abordada em suas diversas dimensões: arqueológica, arquitetônica, paisagística e imaterial. Em regiões como a do Sertão de Valongo, na cidade de Porto Belo, a fixação dos primeiros habitantes ocorreu imediatamente após a abolição da escravidão no Brasil. O Iphan identificou nessa região um total de 19 referências culturais, como os conhecimentos tradicionais de ervas de chá, o plantio agroecológico de bananas e os cultos adventistas de adoração.
Disponível em:
.Acesso em: 1 jun. 2009. (com adaptações).
O texto acima permite analisar a relação entre cultura e memória, demonstrando que
(A) as referências culturais da população afrodescendente estiveram ausentes no sul do País, cuja composição étnica se restringe aos brancos.
(B) a preservação dos saberes das comunidades afrodescendentes constitui importante elemento na construção da identidade e da diversidade cultural do País.
(C) a sobrevivência da cultura negra está baseada no isolamento das comunidades tradicionais, com proibição de alterações em seus costumes.
(D) os contatos com a sociedade nacional têm impedido a conservação da memória e dos costumes dos quilombolas em regiões como a do Sertão de Valongo.
(E) a permanência de referenciais culturais que expressam a ancestralidade negra compromete o desenvolvimento econômico da região.
2. O tráfico de escravos em direção à Bahia pode ser dividido em quatro períodos:
1.o – O ciclo da Guiné durante a segunda metade do século XVI;
2.o – O ciclo de Angola e do Congo no século XVII;
3.o – O ciclo da Costa da Mina durante os três primeiros quartos do século XVIII;
4.o – O ciclo da Baía de Benin entre 1770 e 1850, estando incluído aí o período do tráfico clandestino.
A chegada dos daomeanos (jejes) ocorreu nos dois últimos períodos. A dos nagô-iorubás corresponde, sobretudo, ao último. A forte predominância dos iorubás na Bahia, de seus usos e costumes, seria explicável pela vinda maciça desse povo no último dos ciclos.
VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos: dos séculos XVII a XIX. Tradução de Tasso Gadzanis. São Paulo: Corrupio, 1987. p. 9. (com adaptações).
Os diferentes ciclos do tráfico de escravos da costa africana para a Bahia, no Brasil, indicam que

(A) o início da escravidão no Brasil data do século XVI, quando foram trazidos para o Nordeste
os chamados “negros da Guiné”, especialistas na extração de ouro.
(B) a diversidade das origens e dos costumes de cada nação africana é impossível de ser
identificada, uma vez que a escravidão moldou os grupos envolvidos em um processo
cultural comum.
(C) os ciclos correspondentes a cada período do tráfico de diferentes nações africanas para a
Bahia estão relacionados aos distintos portos de comercialização de escravos.
(D) o tráfico de escravos jejes para a Bahia, durante o ciclo da Baía de Benin, ocorreu de forma
mais intensa a partir do final do século XVII até a segunda metade do século XVIII.
(E) a escravidão nessa província se estendeu do século XVI até o início do século XVIII,
diferentemente do que ocorreu em outras regiões do País.


Comentário:
É importante pensar nos ciclos econômicos do Brasil para, por exemplo, descartar a afirmativa A, que fala em extração do ouro - que só no final do século XVII começa a se tornar uma atividade econômica no Brasil. Além disso, a extração do ouro se deu de forma mais intensa especialmente na região de Minas Gerais - e não na Bahia como diz a questão.
A alternativa B também não pode ser a correta, pois identificamos os grupos culturais que vieram para o Brasil, como a própria questão dá a entender. Por isso, fiquem atentos à questão e seu enunciado!
A alternativa C é a correta. Conforme os anos foram se passando, e conforme as diferentes necessidades de mão-de-obra que surgiram no Brasil, mudaram os portos em que chegavam os escravos africanos; portanto, os ciclos do tráfico de escravos também sofrem mudanças.
A alternativa D pode ser descartada facilmente se nos lembrarmos das regras de determinação dos séculos. "A chegada dos daomeanos (jejes) ocorreu nos dois últimos períodos", diz o enunciado da questão. O terceiro ciclo se inicia já no século XVIII, o que significa que os jejes chegam já no século XVIII, e não XVII, e o tráfico dos jejes acaba no quarto ciclo, que termina em meados do século XIX, e não XVIII.
A alternativa E pode ser descartada da mesma forma que a alternativa D.


3 - Vejam a imagem do mapa sobre o qual fala a questão no site: [Tens de ter uma conta e sessão iniciada para poderes visualizar este link]

O desenho do artista uruguaio Joaquín Torres-García trabalha com uma representação diferente
da usual da América Latina. Em artigo publicado em 1941, em que apresenta a imagem e trata do assunto, Joaquín afirma:
Quem e com que interesse dita o que é o norte e o sul? Defendo a chamada Escola do Sul porque na realidade, nosso norte é o Sul. Não deve haver norte, senão em oposição ao nosso sul. Por isso colocamos o mapa ao revés, desde já, e então teremos a justa ideia de nossa posição, e não como querem no resto do mundo. A ponta da América assinala insistentemente o sul, nosso
norte”.
TORRES-GARCÍA, J. Universalismo constructivo. Buenos Aires: Poseidón, 1941. (com adaptações).

O referido autor, no texto e imagem acima,
(A) privilegiou a visão dos colonizadores da América.
(B) questionou as noções eurocêntricas sobre o mundo.
(C) resgatou a imagem da América como centro do mundo.
(D) defendeu a Doutrina Monroe expressa no lema “América para os americanos”.
(E) propôs que o sul fosse chamado de norte e vice-versa.

Comentário:
Essa questão retrata a crítica de um artista ao chamado eurocentrismo, ou seja, ao posicionamento da Europa como centro do mundo, como continente mais importante e que deve ser privilegiado. Se vocês repararem bem, os mapas que utilizamos sempre têm como centro a Europa; esta é uma das críticas; a outra é a posição Norte/ Sul, em que o Norte vem "em cima" no mapa, e "embaixo" o Sul. O artista, porém, não "propõe que o sul seja chamado de norte e vice-versa"; ele critica de certa maneira a própria cartografia.
A alternativa correta é, portanto, a B. As outras nada têm a ver com as críticas do artista.


4


Figuram no atual quadro econômico mundial países considerados economias emergentes, também chamados de novos países industrializados. Apresentam nível considerável de industrialização e alto grau de investimentos externos, no entanto as populações desses países convivem com estruturas sociais e econômicas arcaicas e com o agravamento das condições de vida nas cidades. As principais economias emergentes que despertam o interesse dos empresários do mundo são: Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC). Tais países apresentam características comuns, como mão-de-obra abundante e significativas reservas de recursos minerais.


Diante do quadro apresentado, é possível inferir que a reunião desses países, sob a sigla BRIC, aponta para

(A) um novo sistema socioeconômico baseado na superação das desigualdades que conferiam sentido à ideia de Terceiro Mundo.
(B) a razoabilidade do pleito de participarem do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
(C) a melhoria natural das condições sociais em decorrência da aceleração econômica e da redução dos níveis de desemprego.
(D) a perspectiva de que se tornem, a médio prazo, economias desenvolvidas com uma série de desafios comuns.
(E) a formação de uma frente diplomática com o objetivo de defender os interesses dos países menos desenvolvidos.


Comentário: Mais uma questão onde a maior habilidade do aluno tem que ser a de interpretação e a de estar atualizado, além disso, ela também cobra a Habilidade 7. A Resposta correta é a D. Isso porque a resposta A fala da "superação das desigualdades" o que contradiz o texto. A resposta B e a E falam de questões que nem são citadas no texto, como o "conselho de Segurança da ONU" e uma possível "frente diplomática contra a pobreza", quem dera fosse verdade !!!. Já a resposta C fala em "melhoria natural das condições sociais", o que também vai contra o que afirma o texto, quando ele fala que estes países têm "estruturas sociais ... arcaicas"  !!!
05. (ENEM 2009) Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. […] Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. O contexto político tratado refere-se a um significativo período da história do Brasil, o 2º Governo de Vargas (1951-1954), que foi marcado pelo aumento da infiltração do Partido Comunista Brasileiro (PCB) nos sindicatos e pelo distanciamento entre Getúlio e os militares que o haviam apoiado durante o Estado Novo. O conteúdo da carta testamento de Getúlio aponta para a:
(A) existência de um conflito ideológico entre as forças nacionais e a pressão do capital internacional.
(B) tendência de instalação de um governo com o apoio do povo e sob a égide das privatizações.
(C) construção de um pacto entre o governo e a oposição visando fortalecer a Petrobrás.
(D) iminência de um golpe protagonizado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).
(E) pressão dos militares contra o monopólio estatal sobre a exploração e a comercialização do petróleo.

COMENTÁRIO: Vargas não atendia mais aos anseios de alguns grupos conservadores(Militares, empresários, dentre outros) ligados principalmente ao capital externo, já que o modelo varguista era o nacionalizador e estatizante. Havia de fato um conflito ideológico

06 - ) A crise de 1929 e dos anos subsequentes teve sua origem no grande aumento da produção industrial e agrícola, nos EUA, ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial, quando o mercado consumidor, principalmente o externo, conheceu ampliação significativa. O rápido crescimento da produção e das empresas valorizou as ações e estimulou a especulação, responsável pela "pequena crise" de 1920-21. Em outubro de 1929, a venda cresceu nas Bolsas de Valores, criando uma tendência de baixa no preço das ações, o que fez com que muitos investidores ou especuladores vendessem seus papéis. De 24 a 29 de outubro, a Bolsa de Nova York teve um prejuízo de US$ 40 bilhões. A redução da receita tributária que atingiu o Estado fez com que os empréstimos ao exterior fossem suspensos e as dívidas, cobradas; e que se criassem também altas tarifas sobre produtos importados, tornando a crise internacional.

 Os fatos apresentados permitem inferir que

a) as despesas e prejuízos decorrentes da 1ª Guerra Mundial levaram à crise de 1929, devido à falta de capital para investimentos.
b) o significativo incremento da produção industrial e agrícola norte-americana durante a 1ª Guerra Mundial consistiu num dos fatores originários da crise de 1929.
c) a queda dos índices nas Bolsas de Valores pode ser apontada como causa do aumento dos preços de ações nos EUA em outubro de 1929.
d) a crise de 1929 eclodiu nos EUA a partir da interrupção de empréstimos ao exterior e da criação de altas tarifas sobre produtos de origem importada.
e) a crise de 1929 gerou uma ampliação do mercado consumidor externo e, consequentemente, um crescimento industrial e agrícola nos EUA.


Resposta: B



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    Data/hora atual: Qua 8 Dez 2021 - 0:53